A psiquiatria infantil é a subespecialidade da medicina dedicada à saúde mental de crianças e adolescentes. A mente em desenvolvimento não é uma versão reduzida da mente adulta: ela obedece a ritmos próprios, usa estratégias de comunicação do sofrimento que diferem das do adulto e responde a fatores de risco e proteção que estão em grande parte no ambiente familiar e escolar. Isso significa que avaliar e acompanhar saúde mental na infância e na adolescência exige formação e olhar específicos.
As condições mais frequentes que levam famílias ao psiquiatra infantil incluem TDAH, Transtorno do Espectro Autista, depressão na infância, ansiedade escolar, TOC em crianças, transtorno de oposição e desafio e dificuldades de comportamento que o ambiente familiar já não consegue manejar sozinho. Em adolescentes, somam-se o uso de substâncias, os transtornos alimentares, a automutilação e os quadros depressivos que frequentemente aparecem nessa fase como irritabilidade e isolamento social antes de qualquer tristeza visível.
Um dos maiores obstáculos que as famílias enfrentam é o medo: medo do diagnóstico que vai "rotular" a criança, medo da medicação que vai "alterar a personalidade", medo de que a consulta confirme o que elas já suspeitam. Esses medos são legítimos e fazem parte da conversa clínica. A avaliação psiquiátrica na infância não é um tribunal, é um mapeamento: serve para entender o que está acontecendo, por quê e quais caminhos de cuidado fazem sentido para aquela criança específica naquele momento específico.
No Instituto Alceu Giraldi, as avaliações infantojuvenis são conduzidas com participação ativa da família. Pais e responsáveis são parceiros do processo, não espectadores. A criança é ouvida no lugar de protagonista da própria história. O plano de cuidado considera o ambiente escolar, a dinâmica familiar e a fase do desenvolvimento em que a criança se encontra. Quando a medicação faz parte do plano, a decisão é explicada com transparência sobre indicação, dosagem e objetivos esperados.
