O que faz um psiquiatra é uma dúvida muito mais comum do que parece. O psiquiatra é médico: concluiu a graduação em medicina e, depois, fez residência especializada em psiquiatria. Essa formação clínica o autoriza a diagnosticar transtornos mentais, solicitar exames complementares, prescrever medicamentos e, quando necessário, integrar o cuidado com outros especialistas. É o único profissional de saúde mental habilitado a fazer essas três coisas juntas. O psicólogo, por sua vez, atua na psicoterapia e na avaliação comportamental, sem prescrição.
Na consulta psiquiátrica, o profissional realiza uma avaliação clínica detalhada: escuta seu histórico, analisa os sintomas, investiga antecedentes familiares e descarta causas orgânicas que podem imitar quadros emocionais, como alterações de tireoide ou anemia. Com base nessa avaliação, formula uma hipótese diagnóstica e propõe um plano de cuidado. Esse plano pode incluir medicamento, psicoterapia, mudança de hábitos ou a combinação desses recursos. A primeira consulta raramente encerra o processo com uma receita; na maior parte das vezes, é o início de uma investigação clínica.
A psiquiatria é necessária quando os sintomas ultrapassam o ajuste natural ao estresse cotidiano. Pensamentos recorrentes sem controle, humor persistentemente rebaixado por semanas, crises de pânico frequentes, alterações de sono que não melhoram com medidas simples ou comportamentos que perturbam a vida profissional e os relacionamentos são sinais de que uma avaliação médica especializada é o caminho mais adequado. Nesses casos, a psicologia sozinha pode não ser suficiente para organizar o quadro clínico, embora a psicoterapia quase sempre componha o tratamento ao lado do acompanhamento psiquiátrico.
No Instituto Alceu Giraldi, a primeira consulta psiquiátrica tem duração de uma hora e é conduzida com atenção ao contexto de vida de cada paciente, não apenas aos sintomas isolados. A equipe psiquiátrica trabalha integrada com os psicólogos do instituto, o que permite construir um plano de cuidado que combina, quando indicado, avaliação medicamentosa e acompanhamento psicoterápico dentro da mesma estrutura clínica. Nenhuma prescrição é feita de forma automática: o plano depende do que a avaliação revelar.
