TEA é a sigla para Transtorno do Espectro Autista, uma condição de neurodesenvolvimento que afeta a forma como a pessoa se comunica, se relaciona e processa estímulos do ambiente. Recebe o nome de espectro porque os sinais e o nível de apoio necessário variam muito entre pessoas. Há quem tenha autonomia plena na vida adulta com pequenas adaptações; há quem precise de apoio diário ao longo de toda a vida. O TEA não é uma doença a ser curada nem o resultado de criação; é uma forma diferente de funcionamento cerebral que aparece desde cedo no desenvolvimento, ainda que o reconhecimento clínico possa acontecer em qualquer idade.
Na primeira infância, os sinais costumam aparecer no atraso na fala, na pouca resposta ao nome, no contato visual reduzido, no interesse intenso e restrito por temas específicos, na dificuldade de brincar de faz de conta. Na infância e adolescência, somam-se dificuldades nas regras sociais não escritas, sensibilidade sensorial (luz, som, textura), preferência por rotina previsível e desconforto com mudanças bruscas. No adulto, o autismo aparece com frequência em pessoas que sempre se sentiram fora de sintonia social, exaustas depois de eventos coletivos, com padrões intensos de interesse, e que descobrem o diagnóstico ao buscar avaliação por ansiedade, depressão ou esgotamento.
O diagnóstico é clínico e estruturado. Não existe exame de sangue, nem de imagem, que feche o quadro. A avaliação é feita por médico psiquiatra, neurologista ou neuropediatra, ou por psicólogo qualificado, em mais de uma consulta, com escuta de pessoas próximas e revisão da trajetória de vida desde a infância. Quando o paciente é criança, a família participa ativamente; quando é adulto, o histórico pessoal e os relatos de quem convive são parte central do processo.
