O que é esquizofrenia é uma pergunta que merece resposta sem o peso das imagens equivocadas que acompanham o termo. Esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico grave e crônico que afeta a forma como a pessoa percebe a realidade, pensa, sente e se comporta. Não é "ter dois lados" nem ser violento por natureza; essas associações são estigmas sem respaldo clínico. É uma condição que compromete funções cognitivas e perceptivas fundamentais, com variações de intensidade ao longo da vida, e que responde de forma significativa ao tratamento continuado.
Os sinais dividem-se clinicamente em dois grupos distintos. Os sintomas positivos, que representam adições ao funcionamento habitual, incluem alucinações como ouvir vozes ou ver coisas que não existem para outros, delírios como crenças fixas sem base na realidade, e pensamento desorganizado, que se manifesta em fala fragmentada e difícil de acompanhar. Os sintomas negativos, que representam perdas em relação ao funcionamento anterior, incluem embotamento afetivo, pobreza de discurso, dificuldade de iniciar atividades e isolamento social progressivo. Os sintomas negativos são frequentemente os mais difíceis de reconhecer e os que mais afetam a qualidade de vida cotidiana.
O diagnóstico diferencial é exigente e não é feito em uma consulta única. Psicose pode aparecer no transtorno bipolar, na depressão grave, no uso de substâncias como cannabis e estimulantes, e em condições neurológicas. A esquizofrenia se distingue pela duração dos sintomas, pela ausência de um episódio de humor identificável como causa e pela presença de sintomas negativos persistentes. Uma crise psicótica isolada não fecha o diagnóstico; a avaliação considera o histórico completo, o padrão temporal e a resposta ao tratamento.
No Instituto Alceu Giraldi, o acompanhamento da esquizofrenia é psiquiátrico como eixo central, com manejo medicamentoso que visa reduzir sintomas positivos e preservar o funcionamento cognitivo. O suporte psicossocial e familiar integra o cuidado: a família que entende o quadro cuida melhor e sofre menos. O acompanhamento é contínuo porque interrupções no tratamento aumentam o risco de recaídas com impacto acumulado sobre o funcionamento.
