O que é psicogeriatria é uma especialidade médica que une a psiquiatria ao cuidado específico do envelhecimento. Psicogeriatria é o ramo da psiquiatria dedicado ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de transtornos mentais em pessoas idosas, considerando as particularidades biológicas, sociais e emocionais dessa fase da vida. Não se trata apenas de aplicar a psiquiatria geral ao idoso: o envelhecimento transforma a forma como os quadros se apresentam, como os medicamentos são metabolizados e como os fatores de risco se acumulam ao longo de décadas de vida. Um olhar especializado faz diferença concreta no diagnóstico e na segurança do tratamento, e por isso a especialidade existe como campo próprio.
As condições mais frequentes no campo da psicogeriatria incluem depressão, ansiedade, transtornos de sono, quadros demenciais de diversas etiologias, delirium, que é o estado confusional agudo muitas vezes confundido com demência, psicoses tardias e questões relacionadas ao luto e à adaptação às perdas funcionais próprias da terceira idade. No idoso, a depressão costuma se apresentar de forma atípica: menos tristeza declarada e mais queixas físicas, fadiga, isolamento e dificuldade cognitiva. Isso torna o diagnóstico mais difícil e aumenta o risco de subdiagnóstico em consultas não especializadas.
A distinção entre envelhecimento normal e patológico é um dos eixos centrais da psicogeriatria. Alguma lentidão de memória e de processamento faz parte do envelhecimento saudável. O que diferencia o envelhecimento normal de um quadro demencial inicial ou de uma depressão com impacto cognitivo é o padrão de declínio, a velocidade de instalação e o impacto nas atividades cotidianas. Essa distinção não se faz por intuição familiar; exige avaliação clínica e, frequentemente, testes neuropsicológicos.
No Instituto Alceu Giraldi, o acompanhamento psicogerátrico considera a situação clínica global do idoso, os medicamentos em uso, o suporte familiar disponível e o nível de funcionalidade atual. A família participa ativamente do processo, porque o idoso muitas vezes não reconhece suas próprias dificuldades ou não sabe como descrevê-las ao médico. O cuidado integra psiquiatria e, quando indicado, psicologia, com foco em manutenção da autonomia e qualidade de vida ao longo do tempo.
