O que é demência é uma questão que começa desfazendo uma confusão frequente: demência não é uma doença única, mas uma síndrome, isto é, um conjunto de sintomas que pode ter diversas causas. A demência se caracteriza pelo declínio progressivo de múltiplas funções cognitivas, como memória, linguagem, orientação, raciocínio e capacidade de planejar, em grau suficiente para comprometer a vida cotidiana e a autonomia da pessoa. Não é uma etapa inevitável do envelhecimento; é uma condição clínica com causas identificáveis, algumas tratáveis, e com trajetórias que variam consideravelmente de acordo com o tipo e o estádio em que é detectada.
Os sinais vão além do esquecimento pontual que qualquer pessoa experimenta em um dia cansativo. Na fase inicial, a pessoa repete as mesmas perguntas ou histórias em pouco tempo, perde objetos em lugares incomuns, tem dificuldade com tarefas que sempre foram automáticas, confunde datas e nomes próximos, perde o fio do raciocínio que antes mantinha com facilidade. Com a progressão, surgem dificuldades de linguagem, desorientação em ambientes familiares, mudanças de personalidade e comportamento, e dependência crescente para atividades básicas como higiene, alimentação e deslocamento.
O diagnóstico diferencial é fundamental porque nem todo declínio cognitivo é demência. Depressão pode causar pseudodemência, especialmente no idoso: a queixa de memória é frequente e o tratamento da depressão restaura a função cognitiva. Delirium, que é um estado confusional agudo causado por infecção, desidratação, medicamentos ou cirurgia, pode ser confundido com demência por familiares sem experiência prévia. Hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12 e outras condições sistêmicas também afetam a cognição de forma reversível.
No Instituto Alceu Giraldi, a investigação de demência inclui anamnese detalhada com paciente e familiar, avaliação de medicamentos em uso, testes cognitivos padronizados e, conforme o quadro, solicitação de exames laboratoriais e de neuroimagem em parceria com neurologistas. O acompanhamento após o diagnóstico envolve tanto o paciente quanto os cuidadores, porque a demência é uma condição que reorganiza toda a dinâmica familiar.
