O que é perimenopausa é uma pergunta que pouquíssimas mulheres fazem porque o termo raramente entra na conversa médica de rotina. A perimenopausa é o período de transição hormonal que antecede a menopausa: pode durar de dois a dez anos e começa, em geral, entre os 40 e os 47 anos. Durante esse tempo, os ovários produzem estrogênio de forma irregular, com picos e quedas imprevisíveis que distinguem essa fase tanto da menacme estável quanto da menopausa consolidada. A menstruação ainda ocorre, mas já não segue um ritmo fixo.
Os sintomas psiquiátricos da perimenopausa diferem da TPM cíclica justamente por sua irregularidade. Oscilações de humor que não seguem o padrão do ciclo, ansiedade que surge sem gatilho claro, insônia sem explicação aparente, irritabilidade que parece não pertencer a você: esses são os sinais que definem o período. Muitas mulheres descrevem a sensação de não se reconhecer emocionalmente. A névoa mental, a dificuldade de memória de curto prazo e o cansaço persistente são companheiros frequentes.
A diferença entre perimenopausa e menopausa é objetiva: na perimenopausa, a menstruação ainda acontece, ainda que irregular; a menopausa é confirmada após doze meses consecutivos sem ciclo. O que torna a perimenopausa clinicamente relevante é que os sintomas psiquiátricos frequentemente começam aqui, antes da menopausa estabelecida, e são confundidos com depressão isolada ou com ansiedade sem causa. Esse erro de atribuição leva a tratamentos que não consideram o contexto hormonal e pode prolongar o sofrimento desnecessariamente.
No Instituto Alceu Giraldi, a avaliação da saúde mental na perimenopausa investiga a linha do tempo dos sintomas em relação ao ciclo menstrual, as alterações de sono e as oscilações de humor ao longo dos meses. Quando os sintomas indicam condição clínica específica, o plano de acompanhamento reconhece a flutuação hormonal como parte do contexto sem reduzir o diagnóstico a ela. Mulheres em perimenopausa merecem avaliação que enxergue a pessoa inteira, não apenas os hormônios.
