O que é gestalt, no contexto da psicoterapia, é uma abordagem de base humanista que coloca no centro da sessão a experiência vivida no momento presente: o que você sente agora, o que percebe no próprio corpo, o que emerge no encontro com o terapeuta. O nome vem da psicologia da gestalt alemã, que estudava como percebemos totalidades antes de fragmentos. Na clínica, isso se traduz em trabalhar com a pessoa inteira, considerando emoções, pensamentos, corpo e relações como dimensões que não se separam.
Na sessão de gestalt, a atenção do terapeuta se volta ao que acontece no espaço do aqui e agora. Em vez de interpretar o passado de fora, como uma análise retroativa, o terapeuta convida você a notar o que está presente: a tensão em um ombro ao falar de determinado assunto, a emoção que sobe antes mesmo de nomear a situação, o padrão que se repete nas relações descritas. Esse contato direto com a experiência, em vez da análise intelectual dela, é o que diferencia a gestalt de abordagens mais estruturadas cognitivamente. Técnicas como o role-play, o uso do espaço e o diálogo com partes de si mesmo podem aparecer ao longo do processo, sempre a serviço de ampliar a consciência do que está ocorrendo.
A gestalt é particularmente indicada para quem quer explorar identidade, padrões relacionais e emoções que parecem difíceis de nomear ou que se expressam mais no corpo do que nas palavras. Em comparação com a TCC, a gestalt é menos estruturada em protocolos e mais orientada à exploração: isso pode ser uma vantagem para pessoas que se sentem sufocadas por abordagens muito diretivas, mas pode ser menos indicada quando o objetivo é o manejo específico de sintomas com protocolo claro, como fobias ou TOC. Nenhuma abordagem é universalmente melhor: a adequação depende do quadro e de como cada pessoa aprende e se movimenta dentro do processo terapêutico.
No Instituto Alceu Giraldi, profissionais com formação em gestalt integram a equipe de psicologia, e a abordagem é utilizada dentro de planos de cuidado individualizados. Quando pertinente, o acompanhamento gestáltico é coordenado com a avaliação psiquiátrica, garantindo que o plano terapêutico responda ao conjunto da situação clínica.
